Não foi só Ronaldo: Mourinho, Alexis Sánchez e Ibrahimovic também se queixaram do Man. United

Atualmente na Roma, Mourinho treinou o Manchester United entre 2016 e 2018
Atualmente na Roma, Mourinho treinou o Manchester United entre 2016 e 2018AFP

Durante a entrevista a Piers Morgan, o internacional português queixou-se da falta de evolução do clube inglês. Uma crítica que parece transversal a alguns dos nomes sonantes que passaram por Old Trafford nas últimas épocas.

Um dos maiores clubes de Inglaterra, o Manchester United atravessa um momento de indefinição. Desde que Sir Alex Ferguson colocou um ponto final a um trabalho de 26 como treinador do clube, em 2013, os red devils não mais conseguiram vencer a Premier League.

Durante este período, passaram pelo banco de Old Trafford nomes como David Moyes, Ryan Giggs, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjaer, Ralf Rangnick e agora Erik ten Hag. O melhor que o Manchester United conseguiu foi um segundo lugar (2017/18) no campeonato e no que toca a troféus só conquistou uma Taça de Inglaterra (2015/16), uma Liga Europa (2016/17), uma Supertaça (2016) e uma Taça da Liga (2016/17) – com exceção da primeira taça, os restantes feitos foram conseguidos no consulado de Mourinho.

A saída do mítico treinador escocês parece ter lançado o Manchester United para um marasmo onde a desorganização é o que tem sobressaído. Desde contratações milionárias sem sucesso (Ángel Di María chegou por 75 milhões de euros e saiu após uma época; Pogba regressou por 105 milhões e voltou a sair a custo zero; Lukaku custou 84 milhões de euros, Maguire foi o central mais caro do mundo) a várias polémicas, o clube anda muito longe daquele que é o mais titulado da Premier League com 13 troféus no palmarés.

Durante entrevista a Piers Morgan, Ronaldo apontou várias falhas na estrutura como uma das causas para este problema do Manchester United. "Não sei o que se passa, mas desde que o Sir Alex Ferguson deixou o Manchester United, não vi evolução no clube. O progresso foi zero. Por exemplo, existe um ponto interessante, como o Manchester United, depois de ter despedido o Ole [Gunna Solskjaer], contratam como diretor desportivo Ralf Rangnick, que é algo ninguém entende. Este tipo nem sequer é treinador. O Manchester United contratar um diretor-desportivo não só me surpreendeu a mim, como a todo o mundo. Nada mudou. Surpreendentemente, nem a piscina, nem o jacuzzi... até o ginásio. Até alguns pontos de tecnologia, a cozinha, os chefs, que aprecio bastante, porque são pessoas amorosas. Pararam no tempo e isso surpreendeu-me bastante, porque pensava que ia ver coisas diferentes, como referi anteriormente, ao nível da tecnologia, infraestruturas, mas, infelizmente, vemos muitas coisas que estava habituado a ver aos 20, 21, 23... por isso, surpreendeu-me bastante", disse.

E o que é certo é que o português não foi único a manifestar o descontentamento com a atual organização dos reds devils.

Desde 2019 várias figuras sonantes que passaram pelo clube deixaram a entender que o atual estado do Manchester United está muito longe do estatuto que ainda conserva. E o primeiro a fazer soar o alarme foi José Mourinho.

Uma ano depois de ter sido despedido, o treinador português elogiou o trabalho alcançado em Old Trafford e deixou perceber que os bastidores das equipa não são fáceis. “Terminar em segundo a Premier League foi um dos melhores trabalhos da minha carreira. Continuo a dizê-lo porque as pessoas não fazem ideia do que se passa atrás das câmaras”, disse aos jornalistas a 17 de janeiro de 2019.

Seguiu-se Alexis Sánchez, contratado ao Arsenal em janeiro de 2018, mas cujo impacto não refletiu os 35 milhões de euros pagos por aquela que era a grande estrela do clube londrino. “Depois do primeiro treino perguntei ao meu agente se podíamos cancelar o contracto e regressar ao Arsenal. Muitos me culpam a mim do que passei ali, mas não sabem o que se passa dentro do clube” atirou a 4 de setembro de 2020, poucos depois de se ter tornado jogador a título definitivo do Inter.

Seguiu-se Zlatan Ibrahimovic. Sempre mordaz, o avançado sueco de 41 anos passou pelo Manchester United entre 2016 e 2017 e não se mostrou impressionado com o que encontrou. “Todos acreditam que o Manchester United é uma equipa de topop, um dos clubes mais ricos e poderosos do mundo. Eu pensava a mesma coisa, até que cheguei e encontrei uma mentalidade pequena e fechada”, disse a dezembro de 2021.

Palavras que vão de encontro aos avisos de Cristiano Ronaldo. Se é certo que a entrevista do internacional português ganha destaque pelas críticas a Erik ten Hag e à estrutura dos red devils, não deixa de ser menos verdade que as queixas da falta de evolução do Manchester United parecem ser transversais a alguns dos grandes nomes que passaram por Old Trafford e podem ajudar a perceber as dificuldades que este gigante do futebol mundial atravessa dentro dos relvados.

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